Morena de cabelos encaracolados. Madura para a idade. Em busca da iluminação. Cinthia é uma irmã que eu sempre quis mas não ganhei na infância rodeada de meninos.
É muito parecida com minha filha, Lorena (a quem dei esse nome só depois de nascida, uma vez constatada a pele também bronzeada por natureza).
Então é como se eu tivesse ganhado da vida uma irmã-filha. Irmã de alma. Filha de jeito. Sangue pra quê?
Nos conhecemos através de uma ligação trocada em um celular com outra amiga, que na época morava com Cinthia e de quem ela estava ao lado no momento. A tal amiga pegou uma rua, a qual não segui. Cinthia me indicou uma estrada sem placas de pare.
Hoje, além do vínculo “familiar”, somos guruas uma da outra. Alternamos conselhos “sensatos”, cuidados, atenção, carinho, tapeware, ferro de passar roupa, aspirador de pó. Nossos encontros são uma espécie de sessão de descarrego, de análise freud-lacaniana, de aprofundamento de laços e compreensão do que acontece ao nosso redor.
Na verdade, oficialmente, as coisas só acontecem quando contamos uma para outra.
Há uma pesquisa que diz que mulheres que têm laços fortes de amizade com outras mulheres vivem muito mais. Se for assim, eu e Cin estamos com a longevidade garantida.
Mas o que faz alguém se sentir tão próximo de alguém? Pessoas que nasceram tão distantes? Que nunca se viram, mas sempre se amaram? Que só se descobrem depois dos 30?
Educação parecida? Não é o caso. Históricos de vida parecidos? Não é o caso. Semelhança física? Com exceção da altura quase emparelhada, também não é o caso.
Ela saiu da Bahia, eu do Rio de janeiro. Sampa, interseção. Só uma cidade como essa poderia promover um encontro como esse. Obrigada, São Paulo.
Não, você não está lendo um depoimento do Orkut. É preciso um espaço maior para homenagear essa união.
Na yoga, Cinthia busca atitudes e sentimentos nobres que nem sempre ela consegue atingir. Eu, mais velha e mais vivida, transcendo através da prática e de circunstâncias adversas. Por isso ela me diz que vou alcançar a iluminação antes dela. A gente ri.
A gente ri da gente. A gente ri dos outros. A gente ri dos nossos erros e fraquezas. A gente ri para não chorar. A gente ri só para rir.
Cinthia ainda não tem filhos. Mas está ouvindo o chamado biológico. Prometi lhe dar o par de sapatinhos cor-de-rosa que ganhei de uma outra irmã (sobre a qual, falarei mais tarde) para minha primeira filha.
A moça ficou emocionada e me abraçou com aquele cheiro do xampu que a Natura fez só pra ela. “Mas, Cinthia, e se for menino?”
Saber não se estar só num mundo individualista e competitivo é uma bênção. Se eu fosse gay, casaria com Cinthia. Mas aí estragaríamos tudo.

10 comentários:
Lindo texto, querida! Emocionante mesmo. Deus conserve essa belezura de sentimento que vocês souberam construir
Conheci a Cinthia a pouco tempo.., e, já dá pra ver o quão especial é esta amizade de vocês...tenho um amigao de alma assim também...do mesmo jeitinho, e, sei o que é rir de tudo e da gente...querer falar o tempo todo...achei a coisa mais linda esta mensagem ( vou fazer uma pro Bil tbem, rsrs) e admiro demais essa amizade de vocês. Que Deus conserve!!! Beijos
Adorei o texto !
Uma vez trabalhei com musicalização
numa escola linda chamada "Abrace"
era de alunos especiais crianças e a adolecentes.Logo que entrei achei que não
iria me acostumar, me dava até uma espécie de medo,algumas babavam, outras mordiam as próprias mãos... e eu pensava... será que elas podem me fazer mal? Com o tempo,que foi curto,
uma ou duas aulas e alguns papos com a coordenadora, me acostumei.Comecei a enxergá-las além de suas diferenças e pude ver como elas eram lindas !!!
É preciso conhecê-las para amá-las
e fiquei muito feliz por ter tido
essa oportunidade em minha vida.
Beijos Cris !
Esse tipo de amizade é rara e cada vez mais sagrada. Preserve-a a qualquer custo. Gostei muito do texto.
Que lindo! Tenho uma amizade assim, a Camila. Temos uma tatuagem juntas e somos mais que irmãs, tenho certeza que ela é minha metade, só não tem sexo,rs.
A amo profundamente e sem ela não sei viver.
Dizem que amizade de mulher não existe e eu achava que só a minha e da Camila era verdadeira,mas lendo seu post,pude me ver. A mesma coisa que você sente por Cinthia sinto por minha pretinha Camila.
Adorei seu post e como você escreve bonito!
beijos.
Eu tenho uma amiga para bancozitos..., geralmente eu compro, ela come, a amizade é assim, a gente se completa no outro...Eu tenho compulsão por comprar comida, ela por comer...
Huahuahuahuahuahuahua!!
È sempre bom ler seus textos!!!
Linda sua amizade!!Queria uma amiga assim!
Mas hojes só consigo dizer:
Deus me proteja dos meus amigos,pois dos meus inimigos eu mesmo me protejo!!!
Triste!!!mas minha atual realidade!!!
Vai mudar...rsrsr
cristiana,
te "conheco" a algum tempo por causa de cinthia - atraves do orkut ou algum website que o valha te achei em meio as coisas cinthianas e comecei a ler seu blog. ja havia alguns meses que nao vinha aqui, quando volto vc esta falando dessa moca bonita.
minha historia com cinthia e diferente da sua, nos conhecemos por volta dos 14, ficamos muito proximas por volta dos 16 e algum tempo depois nos "perdemos" uma da outra. nos achavamos por um tempo, com a vida muito diferente da ultima vez que tinhamos nos falado. mas e impressionante o quanto eu nao deixo de ama-la como se eu fossemos adolescentes novamente, como se ainda nos encontrassemos todas as manhas na mesma sala de aula.
morro de saudades de cinthia.
obrigada por ser parte da vida dela, por ser amiga, por amar tanto a nossa magrelinha.
entre nu meu blog postei seu texto
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