Segunda-feira, Fevereiro 16, 2009

Novo endereço

Este blog mudou para:

http://www.interney.net/blogs/cristalk/

(clique no link acima)

Quinta-feira, Fevereiro 05, 2009

Este blog vai mudar

Queridos e abandonados leitores

As férias prolongadas deste blog estão em vias de acabar. Em breve, teremos novidades. Layout novo, endereço novo e quem sabe até nome novo. Aproveitem para responder à pesquisa ao lado dizendo o que vocês acham de mudar o nome de BlogTalk para CrisTalk.

O novo nome seria uma forma de personalizar um pouco mais este espaço e trazer novos ares a ele. A palavra "blog", prefixo de BlogTalk, anda meio desgastada e isso me incomoda um pouco. Sei que alguns de vocês, assim como eu, têm um apego ao nome original. Mas vamos pensar até que ponto vale a pena este apego?

Ou simplesmente BlogTalk é o melhor nome mesmo? Ah! Só para deixar registrado, CrisTalk já é meu nick conhecido no Twitter (@cristalk).

Bom, fiquem à vontade para votar. O voto é anônimo. Mas se quiserem comentar sua escolha, tanto aqui como no espaço de comentários da própria pesquisa e até no twitter, ficarei agradecida pelo feedback.

Quarta-feira, Novembro 26, 2008

Dom Casmurro: uma leitura coletiva




Sei que eu não sou nenhuma atriz e que o vídeo está fora de sinc. Mas fiz questão de participar, do meu jeito, dessa leitura coletiva do livro Dom Casmurro. Aliás, eu o havia relido há pouco tempo. Tudo por causa da cena inesquecível do beijo de Bentinho e Capitu. Não consegui gravar esse trecho porque uma espertinha chegou antes de mim. Mas gravei outro igualmente lindo que o precede, no capítulo "O Penteado".

Participe você também desse projeto histórico. Basta entrar no site Mil Casmurros, escolher um trecho e gravar. É facinho e não dói nada. Fica só a sensação de fazer parte dessa obra-prima machadiana.

Segunda-feira, Novembro 17, 2008

Borboletas que se acotovelam


Esperar um e-mail. Um telefonema. Ficar no vácuo. Cair como Alice no buraco da árvore. Sem saber o que se vai encontrar lá embaixo. Por que não podemos conviver com a tranqüilidade de prever o futuro próximo? Já que o futuro longínquo seria assaz prejudicial. Mas os próximos três meses não fariam mal. Tempo suficiente para saber se sim, se não.

Uma proposta de trabalho. Uma manifestação de amor. Uma notícia de alguém doente. Um filho que está fora.

Borboletas que se acotovelam. Barbantes que se enrolam. Lombrigas bagunceiras. Ácidos que zoam com as paredes do estômago.

Sabendo de antemão o que estaria por vir facilitaria a digestão. Frustrações bem mastigadas são mais fáceis de engolir. Porque o difícil é lidar com aquilo que ainda não sabemos. Fantasiamos. Elucubramos. Viajamos. Piramos.

E se pendemos para o lado dos nossos desejos efusivos? Podemos incrementar o tamanho da queda. E se, cautelosos, puxamos para o lado contrário? Adiantamos e até estragamos aquilo que nem chegou a acontecer.

Situação também conhecida como extrema ansiedade. Há um remédio paliativo: bromazepam. Funciona que é uma beleza. Temporariamente. Você dorme acordado. Enquanto isso, o máximo que pode acontecer é: nada. Nada que desvie a rota do destino.

Depois desse estado zumbi, acordar para a realidade é a parte mais difícil. Por falar nela, o que é exatamente a realidade? É o que acontece sincronicamente ao mesmo tempo agora comigo, com você e com o resto da humanidade? Isso é realidade? Tenho dúvidas.

Será que as coisas existem quando não as presenciamos? A Física Quântica diz que não. Elas não existem. Já tentei entender, mas não consigo. Só sinto que pode ser assim. Ainda pequena, certa vez, tive esse insight. Mesmo antes de saber que existiria uma ciência para teorizá-lo.

Será que nossos pensamentos influenciam nessa “realidade” como apregoam os defensores do “pensamento positivo” e a própria Física Quântica de Botequim?

Ah, quantas voltas para tentar aplacar um coração fora de esquadro.

Escrever é o que me sobra, a despeito das borboletas, das lombrigas e da acidez. O Word como interlocutor. Coitado. Oferece suas páginas em branco sem se fazer de vítima. Não conheço ninguém mais generoso. Vc escreve e ele agüenta quietinho.

Música. Música também pode ser tudo nessa hora. Mas cuidado para não errar na escolha. Vai depender do tipo de ansiedade. Que pode exigir uma melodia mais calminha ou um ritmo mais cadente ou até mesmo uma batida pauleira.

Quem tem bichinhos de estimação também pode se valer deles. Pra mim, abracinho apertado de filho pequeno resolve muito. Mas eles crescem e já não é a mesma coisa. Se houver uma criança à vista, eu cato.

Sair correndo. Para muitos também funciona. Gritar. Dançar. Se embriagar. Mas essa última opção é perigosa se for usada com freqüência. As lombrigas ficam ainda mais festejantes.

Passear no bosque enquanto seu futuro próximo não vem. Aproveitar e expulsar as borboletas. Como faz?

Terça-feira, Novembro 04, 2008

Uma vida lá fora?



Não costumo postar vídeo aqui. Mas esse tem tudo a ver com o texto abaixo e algumas observações levantadas pelos leitores a respeito dele. Assista, emocione-se e confira o final inesperado. Ou nem tão inesperado assim, infelizmente.

Segunda-feira, Outubro 27, 2008

Nascida no k11


K11 fica no quinto dos infernos. É um bairro. Foi lá que nasci. A rua onde passei minha infância tem o nome do meu bisavô: Capitão Edmundo Soares. Desbravador de uma cidade, no tempo em que era repleta de laranjais: Nova Iguaçu. Só depois da década de setenta, começou a receber os migrantes que vinham do nordeste em busca de oportunidades na cidade do Rio de Janeiro, a 100 km. Então Nova Iguaçu saiu do status de cidade promissora e passou ao de cidade dormitório.

Para uma criança, um bairro tranqüilo onde se podia andar livremente pelas ruas e ir à padaria apenas de shorts ou calcinha. Sim, isso um dia foi possível. Só de pensar agora, minha pele de mãe se arrepia. Por onde andariam os pedófilos de plantão?

Por causa do cabelo a la joãozinho, os balconistas da “Flor do k11” gostavam de me provocar perguntando se eu era menina ou menino. E eu criançamente ainda os respondia. Mas o chiclete com anel, o doce de abóbora exageradamente cristalizado e os suspiros esfarelentos recompensavam o desconforto de ter minha feminilidade colocada em dúvida.

Apesar de dois irmãos, primas e amiguinhas, sempre que me lembro dessa fase bicho-solto, estava sozinha. Brincando de casinha, de mamãe e filhinha, subindo em árvores, andando perigosamente em cima do muro, cavando o quintal para encontrar minhocas intra e extraterrestres.

Quando a cidade começou a ganhar fama de perigosa, eu me valia disso para folclorizá-la ainda mais. Dizia que para sair de casa tinha que pular um riacho de sangue. Porém, só presenciei uma violência de fato, no ônibus de volta da escola: um bandido assassinar outro com uma bala chamada dum-dum.

No mais, a infância foi perfeita e tanta liberdade ajudou a construir um traço da minha personalidade que na análise eu chamo de "selvagem". Aquela que não se subjuga pela força. Nem sob ameaça de corte de suprimentos de sobrevivência.

Havia os morros ao redor. Subi-los era uma excitante aventura. E fazia isso sozinha também. O meu limite era a casa da costureira que ficava bem no pico. E lá conheci o cheiro da miséria.

À noite eu ouvia o batuque da macumba que vinha do alto. Era sinistro, assustador e misterioso. Era muito bom o frio na barriga. Criança gosta de sentir medo. Ainda mais uma que se aterrorizava no escuro e via “coisas” ao redor da cama, antes de dormir. Fui obrigada a deixar esse medo de escanteio quando me tornei mãe. Mãe não pode sentir medo.

Das vezes em que me lembro de estar acompanhada ou era de uma prima chantagista e competitiva, mas a quem amava, ou do meu irmão do meio que me ensinou o amor igualitário. Ele me levava para o cerne da molecada. Só eu de menina. Foi assim que aprendi a ter amigos homens e a ser respeitada por eles.

As outras meninas do bairro ficavam presas atrás das grades das suas casas moralistas. Minha mãe não tinha tempo de me reprimir muito porque trabalhava fora.

O primeiro amor aconteceu no k11. Eu o vi em cima da sua bicicleta, resgatando seu cachorro, e me apaixonei. Era filho de portugueses e um mocinho adorável. Meu primeiro beijo. Viramos camaradas. Mais tarde o apresentei para uma amiga e acabaram se casando ainda jovens.

Chegou a fase em que tudo me sufocava naquele território limitado. Eu nem tinha noção do que seria fora daquilo, mas sabia que era para lá que eu queria ir.

Entrei para a faculdade de comunicação, que ficava em Botafogo, na cidade grande, Rio de janeiro. Não olhei para trás e fui sem carregar saudades.

Dentro da ECO, pela primeira vez, eu me senti uma pessoa “normal”. Essa sensação de encontrar sua praia é indescritível. Só senti isso novamente na Vila Madalena, em São Paulo, depois do exílio de 10 anos no sul do país.

Recentemente uma amiga do k11 me encontrou no Orkut. Senti saudades particularmente dela, da sua gargalhada. Mas não pretendo voltar um dia. A infância foi boa demais. Mas meu universo continua em expansão. Agora só volto para o k11 no próximo big-bang. Apesar do encanto que ainda sinto por essa letra e número. Deve ser porque foi lá onde aprendi a escrever.

Quinta-feira, Outubro 16, 2008

Não. Eu não sou fodona


Venho recebendo críticas em off em relação aos meus últimos textos postados nesse blog. “Textos de revista Nova”, textos de “mulherzinha” e toda sorte de comentários relacionados ao momento mulher não-fodona que ando vivendo. Que fique bem claro que essas críticas vêm exclusivamente dos homens. As mulheres não só têm me apoiado como se cumpliciado comigo. Por que será?

Noutro dia, um disse para mim que eu era séria, profunda e isso e mais aquilo. Que esses textos não correspondiam à minha personalidade “de verdade”. Que eu deveria ser mais erudita, crítica, literária. E mais uma vez fui chamada de forte e guerreira. Que saco!

Acho engraçado isso. Porque passei a vida toda sendo uma mulher forte e guerreira. E a essa altura, quando finalmente quero baixar um pouco as bandeiras e descansar sobre a pedra do riacho e beber um pouco de água, não posso! Porque ELES não deixam. Querem cultuar a mulher “querreira”, “lutadora”, com quem tanto se embatiam, mas pela qual sentiam uma espécie de atração mal-resolvida.

Porque são com as mulherzinhas que eles conseguem viver sem conflitos, mas pelas fodonas que eles se apaixonam e se masturbam. O mesmo sujeito que me cobrou erudição diz em seu perfil, pasmem, que busca uma mulher de “espírito jovem” e “magra”! Ãh? Ah, mas tem que ser culta, profunda, séria e lutadora também?Tomara que ele encontre uma.

E aqueles que dizem que querem uma mulher “de bem com a vida”? Hahahaha!

E nem é por causa disso que eu estou dando um tempo na batalha não. É simplesmente cansaço. E vontade de viver meus últimos anos de vida em paz, deitada sobre a rede da feminilidade à antiga.

Do tempo em que os homens eram machistas declarados, mas tratavam as mães dos seus filhos como santas e não deixavam que nada lhes faltasse. Que as respeitavam simplesmente por cuidarem dos seus herdeiros.

Naquele tempo a missão da mulher era cuidar dos filhos e viver em um ritmo de vida de acordo com a natureza. Nascer, procriar, envelhecer e morrer. Em paz. Ufa! Que delícia.

O que é a mulher hoje? Uma profissional “bem-sucedida”, mãe “exemplar” (dá tempo?), esposa “dedicada” e siliconada, numa jornada de 24 horas sem sábados nem domingos e muito menos feriados. E na aposentadoria é jogada fora.

Então tá. Então eu quero ser mulherzinha sim.

Ter apenas uma tarefa nobre que é educação dos filhos e um talento como tocar piano ou escrever. Ficar bonitinha e cheirosa para o meu homem, sem excessos de perfeição (traduz-se malhação e cirurgia plástica). Poder ficar cheinha e ainda assim ser feminina.

Fodona, nunca mais. Chega dessa armadilha neo-machista.